Alice
e o frasco de Moscas
Há
álbuns e álbuns. Há bandas e bandas. Isso é sobejamente sabido e compreendido
por todos. Há bandas que nos impactam de maneiras que mais nenhuma consegue,
tal como há álbuns que têm essa mesma capacidade. Aos 10, um conjunto de
músicas não terá o mesmo impacto que aos 37, estamos de acordo nisso, certo?
Certo. Isso devesse, em muito, à incapacidade que a maioria das crianças de 10
anos tem de absorver as mensagens que lhe chegam através da Música. Vá, não
sigas pelo caminho da futilidade musical do Séc. XXI, ok?! It bores me to
Death… mas não deixa de ser verdade. Se bem que, de há uma série larga de anos
para cá deixei de olhar para a Música como BOA ou MÁ, mas sim como A QUE ME
AGRADA e A QUE NÃO ME AGRADA. Ponto, there, done. Evito ter que explicar ao
pessoal que as capacidades musicais de um, podem não ser tão boas como os do
outro, e deixo de ouvir expressões como “preconceituoso”. Melhor vivo…
Há
26, não tinha feito ainda 11 anos, uma banda lançou um EP. Já com dois álbuns –
e que álbuns – na bagagem, uma série de questões levou-os a tal. Google it, que
não tenho cara de Wikipédia! 7 dias num estúdio, 6 músicas e 1 instrumental,
30:49. A banda? Alice in Chains e o EP, “Jar of Flies”. Este acaba por ser,
para o fã mais genérico, uma peça esquecida da banda. “It’s alright”, como
canta a dupla. Depois de um “Dirt”, tudo se arriscaria a soar… menor. Mas não
os Chains, não. Este EP tem das músicas mais perfeitas que já ouvi: “Don’t
Follow”, com as reconhecidas harmonias vocais da dupla Staley/Cantrell e aquele
solo de harmónica, arrepia-me sempre. Ajuda o facto de esta banda estar
intimamente associada a alguém que me foi mais que muito. Bem, de certo modo
toda esta revolução musical saída de Seattle está! E nisso, tenho que agradecer
à MTv por fazer um bom serviço público nos anos 90! Bem haja!
26
anos passaram e continua mais que actual… o peso, a tristeza, a negritude. O
facto de sabermos como acabaria, uma série de anos mais tarde, este conto,
coloca ainda mais carga em todo o conjunto de músicas. É cliché, é o que quer
que seja, mas creio que a todos aqueles que compõem a minha geração, num dado
momento se sentiram assorbebado pela realidade que os envolvia, caindo assim
num qualquer estado menos agradável. Emotional much? Maybe ahahah mas como
acima referido: aquilo que sinto aos 37 não sentia aos 10, isso é garantido.
Crescemos, aprendemos, absorvemos… somos algo, somos capazes de assimilar a
mensagem que hoje, passados 26 anos, nos chega totalmente descodificada, nua,
disposta a ser absorvida e sofrida, na pele, cada um daqueles segundos que
passam, que nos deixam… que nos soltam e nos abandonam. A perda tem destas
coisas. O viver sem, assume estas formas. Desde que me lembro de saber pôr na
MTv, que este senhores me perseguem. Estiveram presentes, constantemente, nas
várias fases do meu crescimento. Inicialmente como uma banda que tocava músicas
que me agradavam, mais tarde um elo de ligação como pessoas que ainda hoje,
passados mais de 20 anos, tomo como família – vós sabeis quem sois, manos – até
ao ponto em que se tornam a banda-sonora da perda. A representação musical da
ausência do Ser. C’est la vie!
E o
EP, onde chegou?! A cada um de nós, de certo modo. Ainda hoje ecoa no funda do
mente daqueles adolescentes e de algumas crianças, como eu e alguns dos que
irão ler isto… o reflexo de uma geração, de uma época de uma realidade
sociocultural, consumida por consumos?! Por destruições sem contemplação?! Uma
lenta Morte, às mãos de uma guitarra e uma dose. Nem só de consumos se trata,
nem só de Morte falamos. Há vida, deu vida, deu alegria e momentos de
satisfação.
Daqui,
a um seguinte álbum, a um Unplugged que foi o que bem sabemos… a Morte chegou e
ditou um final. Outros morreram, anos antes, mas?! Há diferentes pesos par
distintas mortes?! Não, claro que não, mas há dissemelhantes marcas pessoais
naquele que se embrenhou na criação musical dos referidos. Mas já fugimos do
cerne da questão, estando já na outra ponta de Seattle. Sigamos esse caminho?!
Palavras
e refrões. Lágrimas e recordações. Assim se pauta, para esta besta, este
trabalho. De outro modo não poderia ser, tal é a carga emocional que nele
depositei. De hoje a 26 anos terá o mesmo significado que lhe atribuí, um dia,
devido ao peso que em mim foi depositado.
E a
Música?! A Música é soberba, majestosa, mágica, imponente e intemporal. Que a
mesma pese em muitos, como pesa em mim, sinal de que sim, será intemporal.
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