Judge
– “Bringin' It Down” (1989)
Editado em 1989, o impacto deste álbum, no universo Hardcore, ainda hoje se sente. Os Judge sempre viveram um pouco à margem da cena de Nova Iorque. As próprias “personagens” que compunham a mesma, não eram os standard musicians HC, de certo modo. Ajudou, claro, toda a mística (em falta de melhor palavra) e mistério que sempre pairou na figura do Mike. Toda aquela pessoa, um tanto ou quanto singular, com a mensagem aguerrida, o ar agressivo, fomentaram uma ideia, da banda, que tardou anos e anos em desvanecer. E um dia o Mike, desapareceu…
A
“Take me Away” será, porventura, a minha malha favorita de toda a cena
Hardcore, seja ela dos 70, dos 80, dos 90 ou dos 2000. Aqueles 6 segundos de
silêncio, até entrar o feedback da guitarra, para 4 segundos depois rasgar o
riff mais “pesado” do HC! 1 minuto e 21 segundos até o Sr. Mike
"Judge" Ferraro abrir as goelas e sair clássico. Dono de um porte
bastante respeitável, o antigo baterista dos Youth of Today tem, nestes Judge,
a sua visão do HC.
“Bringin’
It Down” é o 1.º, e último álbum, desta muito especial banda. Straight Edge Band,
fortíssima nas líricas e com uma aura escura. Mais tarde, deparei-me com o
mesmo sentimento numa banda como Integrity. Peso, escuridão, depressão, angústia!
Caramba, NYHC é festa, é mensagem positiva, é calor humano, não é isto! Ou
assim se pensava. Eu, pessoalmente, nunca fui muito de “abraçar” a cena de NY.
Bandas como Madball, SOIA ou os óbvios Agnostic Front – referidas aquelas que,
ao público menos familiarizado com a mesma, dizem algo – fizeram da cena aquilo
que ela é e abriram portas a muitas mais. H20, que com a sua melodia e vibe,
passaram uma mensagem deveras relevante, ou uns 25 Ta Life, gangsta biiitch
ahahah a cena cresceu e hoje é quase um rótulo. E estes Judge, enquadram-se aqui, na perfeição?
O
momento em que o Mike declama “There will
be a quiet/After the storm”, até me arrepia. Eu não tinha isto em nenhuma
outra das bandas referidas! Onde se tinha, este rapaz perdido, para criar a
música que cria? Judge, talvez a minha banda favorita de toda a cena
Nova-iorquina. Quiçá por isto, pelo peso latente, pela intensidade que
depositam na música. Riffs Heavy Metal, como li tantas vezes, são o elemento
que os torna naquilo que são (foram, serão, whatever). Independentemente da
razão para A ou B, o importante é que, apesar de poucas “provas” da sua
existência, os Judge deixaram uma marca, que por vezes me parece ignorada.
Caramba, uma banda como Youth of Today bajulada até mais não, uns Gorilla
Biscuits são praised as one of the best
ever, mas depois esquecemos – ou por vezes me parece – uma banda como os
Judge.
9
malhas, 22 minutos e 43 segundos. Necessitais mais?! Não, não necessitais. São
9 malhas e 22 segundos e 43 segundos replectos de amor e raiva, de obscuridade
e esperança! É toda uma curta existência, envolta em mistério. A VICE – e o
quanto me custa dizer isto – fez um excelente documentário acerca da banda (ou
do Mike, you choose), de nome “There
Will Be Quiet - The Story Of Judge”, onde se segue a vida do Mestre Mike e os
anos em bandas, os Judge e o “desaparecimento” do mesmo, até ao enorme, e 2.º regresso,
para o concerto no Gillman (depois de em 2013 terem tocado no “Black n’ Blue Bowl”)
“One of the things about great bands, is that there is
always a folklore, a story, a myth around the singer”
Judge - "Bringin' It Down" (1989)
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