Mães Solteiras
“Vamos
ser Breves” (Omnichord Records, 2026)
Punk Português Vivo e Necessário - Uma nova voz do punk português contemporâneo
Venho desta forma pedir as minhas sinceras desculpas ao Quim, ao Ricardo, ao André e ao Pedro por ter duvidado das suas capacidades criativas. Fui com demasiada sede ao pote, e a porra deu asneira. Comecemos… Mães Solteiras (depois de analisar o álbum a coisa faz mais que imenso sentido) são a nova cena Punk da tuga. Não são porcos nem cheiram mal, creio; são contestatários, isso sim, como um bom Punk Rocker. Pelo que li, esta aventura nasce de um let’s go, fuck it, e que bons são esses momentos de inspiração visceral.
Assumo que as expectativas estavam pelo tecto, ora vejamos: pessoal de The Vicious Five, If Lucy Fell, Linda Martini e muitos, muitos outros, aos quais se juntou o Ricardo Martins que toca em 64535 projectos e ainda arranja tempo para a punkalhada, só se poderia esperar porra da boa! Na verdade, o meu primeiro encontro não teve sabor, emoção, perigo, fogo e feridas abertas; foi mais do tipo sem sal e cinza num dia de Janeiro. Torci o nariz, cuspi porcaria, e segui. Ainda assim, e porque o hábito é não largar o osso enquanto não entender a razão pela qual gosto, ou não gosto, de algo, regressei. Carreguei PLAY e iniciámos a viagem.
Mea culpa. Um pouco como o último da Capicua, urgia lançar um álbum destes, em Portugal, no momento que atravessamos. Aprendi, ainda em pequeno, e porque ser criado por Comunistas dá nisto, que a Música é veículo de mensagem, não só Música; Música é consciência e Política. Socorro! POLÍTCA… Esse bicho perigoso, que trucida uns e eleva outros a pedestais. Porque aqui temos Música, boa, energética, poderosa, presente e vincada, temos palavras sofridas e palavras de dor, versos opositores e punhos no ar! Mães Solteiras tem o nome perfeito para as letras que cantam e para o momento que atravessamos. Aqueles que não entendem a necessidade destas músicas, está a colocar a cruz no quadrado errado, no quadrado bem errado.
Não tomem este conjunto de músicas como um manifesto; tomem este conjunto de músicas como um Punk fodido e agressivo, melódico e actual. Cheira a hoje, mas cheira a ontem, cheira a Fugazi e a Minor Threat, cheira a uma sociedade podre e em desesperante necessidade de uma limpeza a fundo! Cheira demasiado a fascista, toca a acordar o Strummer. Excelente exemplo! Vim pela música, fiquei pelos ideais ahahah grande Joe. Mas hey, os Mães Solteiras não são uma banda política, e nem sei se são politizados, mas todas as vezes que o solo sagrado da Atalaia foi tocado leva-me a repensar tal… mas se até o Dino me enganou…
De qualquer forma, creio
que vos agradará, mesmo sem uma análise política ou social ao trabalho da banda,
já que o som, pelo som, é demasiado bom! Catchy as hell, imensamente bem
tocado, ou não fossem excelentes músicos, e depois a malha dedicada ao Alcindo
é linda! Deixem de ser pussies e vão checkar a cena. “Puto, isso ainda mexe comigo!”
MÃES SOLTEIRAS - OMNICHORD RECORDS BANDCAMP
P.s.: escrito de rasgão porque isto é Punk e não se faz check, quanto mais double check, das porcarias que vomitamos.


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